Liliane ressalta importância de grandes obras como ferrovias Brasília-Goiânia

A deputada Liliane Roriz (PTB) usou a tribuna do plenário da Câmara Legislativa na tarde desta quarta-feira, 5 de abril, para chamar a atenção sobre a importância do transporte ferroviário para o Distrito Federal e o Entorno. A parlamentar ressaltou o adiantado estudo realizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e lembrou que os governos devem, também, se voltar para grandes obras – como as ferrovias que ligarão Brasília a Luziânia e a Goiânia.

 

“Hoje faz 50 anos que foi inaugurada a primeira ferrovia no Distrito Federal. Isso aconteceu em 1967 e mostra que, desde aquela época, já existia a previsão que passageiros fizessem o percurso entre Brasília e Luziânia em um trem”, iniciou Liliane. “Passados esses 50 anos, porém, hoje nós sabemos que esse transporte ferroviário de passageiros entre essas cidades não existe mais. O que vai na contramão das discussões sobre melhorias para o transporte público do Distrito Federal e do Entorno”, completou.

 

Veja, na íntegra, discurso de Liliane Roriz no plenário:

 

Nós bem sabemos que a população da nossa capital e das cidades vizinhas sofrem, dia a dia, com o caos no transporte. E enquanto a linha férrea que funcionou há 50 anos se perde, parece que os governos só enxergam o transporte com pneus sobre asfalto como alternativa para o transporte público.

 

As ferrovias já se mostraram eficazes aos longo da história. São soluções antigas, mas não obsoletas. Pelo contrário. Elas estão em todo o mundo, em todos os continentes. Com tecnologias cada vez mais modernas, eficiência e velocidade. E mesmo com 1 milhão e 300 mil quilômetros de ferrovias em todo o planeta, no Brasil, a extensão é pequena, se levarmos em conta a área do território nacional.

 

Econômico, confortável, seguro, menos poluente, rápido… O que mais seria necessário para que os governos enxergassem no transporte ferroviário uma das grandes soluções para o problema do transporte público para atender as distâncias existentes no Distrito Federal? É urgente e necessário pensar nas ferrovias como alternativas para a mobilidade urbana na nossa região.

 

Aliás, meu pai, Joaquim Roriz, trabalhou essa ideia durante seus quatro mandatos, e há cerca de 15 anos, ele já apontava o trem como um recurso importantíssimo para uma mudança no sistema de transporte da Capital Federal.

 

Principalmente no transporte de passageiros das cidades do Entorno, uma vez que é impossível ignorar que há milhares de pessoas fazendo esse percurso diariamente, em cima de pneus carecas, sucatas caindo aos pedaços em asfaltos em condições precárias.

 

Tenho acompanhado a série de reportagens que o Correio Braziliense tem publicado sobre o transporte ferroviário. O que me leva a acreditar, cada vez mais, que apontar as ferrovias como solução para a mobilidade urbana é uma decisão extremamente acertada. E nada tem de utopia.

 

Afinal, a Agência Nacional de Transporte Terrestre, a ANTT, está bem avançada nos estudos de viabilidade para a implantação de trens que ligarão Brasília a Luziânia e Brasília à capital goiana. E os números são bem animadores: Para o trem Brasília-Goiânia, por exemplo, a expectativa da ANTT é atender mais de 40 milhões de passageiros somente no primeiro ano de operação. O percurso de 207 quilômetros será feito em apenas 1 hora e 15 minutos. Isso, sem esquecer que o trem sairá de Brasília e atenderá passageiros em estações em Águas Lindas, Santo Antônio do Descoberto, Anápolis e Goiânia.

 

A obra deve custar cerca de 26 bilhões, um valor que, segundo reportagem do Jornal O Popular, está na média verificada em outros países que fizeram este tipo de investimento.

 

Com os estudos já em fase bem avançados, os dados trazidos pela ANTT sobre a implantação do trem Brasília-Goiânia me anima muito, porque além de ter sido uma ideia e um sonho antigo do meu pai de ligar essas duas cidades por meio de ferrovia, essa obra, que deve ficar pronta em 2020, será realizada por meio de uma Parceria de investimentos: ou seja, sem custos ao Estado, usando investimentos privados.

 

Não é de hoje que eu tenho acompanhado com bastante atenção o desenrolar desse estudo. Não apenas porque a ideia de ativar e criar esses trens tenha surgido com meu pai. Mas também porque não podemos ficar assistindo o caos em que se transforma a mobilidade urbana em nossa região ou pensarmos em remediar o pior que ainda está por vir, que é a inviabilidade total de transitar com veículos sobre pneus nas ruas.

 

Ouvi do meu pai pela primeira vez sobre essa ideia que ficou acalentada desde quando ele deixou o governo do Distrito Federal. Resolvi colocar esse projeto debaixo do braço e desde 2015, estive reunida com os governadores do DF, Rodrigo Rollemberg, e de Goiás, Marcone Perillo, para mostrar a importância do transporte ferroviário para a nossa região.

 

Fomos até o Ministério dos Transportes no ano passado para discutir o tema e, com aval do governo federal, um estudo de viabilidade foi encomendado pelo governo para a ANTT.

 

E por isso, quero despertar em todos nós a necessidade de não deixarmos que essa ideia adormeça mais uma vez. Para que não apenas os passageiros entre Brasília e Goiânia sejam beneficiados, mas também os de Luziânia e cidades do Entorno Sul. Afinal de contas, os estudos para viabilizar o trem Brasília-Luziânia também está sendo feito pela ANTT e, caso o trem saia do papel, outras 200 mil pessoas serão beneficiadas. Serão mais 76 quilômetros de extensão e 14 estações que vão da Rodoferroviária de Brasília até Luziânia, atendendo moradores da Cidade ocidental, Valparaíso, Novo gama, Santa Maria, Jardim Ingá, Céu Azul, entre outras.

 

Por fim, nobres colegas, eu quero deixar registrado que nós não podemos fechar os olhos para o que significam essas ferrovias. Um trabalho que nós, deputados distritais devemos fazer.

 

Que os deputados federais por Brasília e senadores eleitos pelo Distrito Federal também devem se empenhar. Unir as forças políticas e trabalharmos para que esses projetos sejam viabilizados, de forma transparente e por meio de PPI, sem uso de dinheiro do Estado.

 

Gostaria, inclusive, de convidar a todos os colegas que entendem a importância desses projetos para os moradores de Brasília e da região do Entorno que juntos, possamos acompanhar não apenas os estudos de viabilidade da ANTT, mas cobrar que que esses empreendimentos se tornem realidade.

 

Solucionar o problema do transporte público e melhorar a mobilidade urbana é um anseio popular e nós temos o dever de buscarmos as soluções. E uma delas está aí, na nossa frente, que são as ferrovias.

 

Não podemos esquecer que as grandes obras também são e devem ser sempre foco de todos os governos. Não podemos esquecer que elas são importantes para o futuro. Assim como foi a construção de Corumbá IV, que quando teve início, todos achavam desnecessária e hoje, poderia ter evitado a crise hídrica e a falta de água que o Distrito Federal vem padecendo.

 

Digo isso para enfatizar que não se trata de nenhuma ideia megalomaníaca. Mas de solução para a mobilidade urbana e pensamento a médio e longo prazo.

 

Não podemos fechar os olhos para a solução mais “ecologicamente correta” que a ferrovia representa para o transporte público. Não podemos fechar os olhos para os benefícios de ter um transporte de passageiros que transporte tanta gente de uma vez só, em viagens mais rápidas e que ainda diminua o fluxo de veículos sobre pneus nas ruas e rodovias.

 

Alguns podem até não entender, inicialmente, a importância desses projetos. Como muitos não entenderam e até criticaram meu pai quando ele criou o metrô em Brasília. Hoje, todos reconhecem, até os adversários de Roriz reconhecem, que Brasília viveria um caos no transporte, não fosse o metrô criado por ele. O mesmo pode acontecer, em breve, se fecharmos os olhos para o transporte ferroviário como solução para colocar a mobilidade urbana de nossa região “nos trilhos”.

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