ENTREVISTA: Parlamentar formada pela herança

O jornal Alô Brasília publicou na edição de hoje (11 de julho), entrevista com a deputada Liliane Roriz.

Liliane Roriz é a filha mais nova do ex-governador do DF, Joaquim Roriz, e de Weslian Roriz, que foi candidata ao cargo maior do executivo local. Em seu segundo mandato, a deputada tem o olhar voltado para o bem social da capital do país. Em conversa com o Alô, Liliane fala de seus projetos de lei e de sua herança política.

 

Sua família faz parte da história, tanto política quanto social, de Brasília. Como lida com a responsabilidade de ser representante de um nome tão forte?

 

De uma forma bem natural, até porque herdei do meu pai, Joaquim Roriz, muito mais que a vontade de fazer política do bem. Herdei valores. Meu pai e minha mãe, Weslian Roriz, sempre me ensinaram, em casa, a fazer o bem, a querer o bem das pessoas. E isso é o norte para qualquer pessoa que queira estar na política.Depois, quando fui crescendo e vendo meu pai na vida pública, aprendi outro grande ensinamento: que para fazer política é preciso, ouvir as pessoas, saber o que elas querem e precisam. Indo a diversos lugares, dos palácios ao grotões. Esse é o jeito Roriz de fazer política.

 

E acredita que herdou esse “jeito Roriz” de fazer política do bem e ainda administrar os problemas da cidade?

 

Tudo está junto. Meu pai sempre pensou no bem do povo do DF em todas as ações que ele fez. Quando ele imaginou que um dia poderia faltar água, ele construiu Corumbá IV. Quando ele imaginou que um dia o trânsito não suportaria mais tantos carros, ele construiu a Ponte JK e o Metrô. Política do bem não é apenas criar os Restaurantes Comunitários, como ele fez, para alimentar o trabalhador por R$ 1. Não é apenas distribuir pão e leite para famílias que não tinham sequer o básico para comer. Política do bem é também aquela que age com pulso, até com um certo pioneirismo, para evitar o sofrimento futuro da população.

 

E atuar no GDF, está no sangue e nas previsões?

 

Outra coisa muito importante que Roriz me ensinou: nunca somos candidatos de nós mesmos. Só podemos ser candidatos a alguma coisa se essa for a vontade do povo. E assim eu faço. Nunca lanço meu nome no cenário. É o povo quem vai me dizer se me quer na política, em que cargo eles me querem. Estou na vida pública para uma missão. E quem determina essa missão é a população do Distrito Federal.

 

A Câmara Legislativa conta com deputados preocupados em atender a população nos mínimos detalhes. Vê-se esse fato em proposições e projetos. É uma espécie de tendência pleitear ações que beneficiem os brasilienses nos menores detalhes?

 

Sempre. É a tal política do bem que eu falei. O povo hoje está sofrendo com muita coisa. A crise diminuiu os empregos. O que pode gerar violência e desencadear problemas mais sérios na segurança pública da cidade. Quando falta o básico, isso também gera uma procura maior por atendimento médico, o que piora a saúde pública. Ou seja, é um ciclo. Este meu projeto específico que impede a cobrança de tarifa mínima de consumo é uma forma de respeitar o cidadão e seus direitos. Ninguém deve pagar pelo que não consome. Garantir os serviços básicos para a população é dever do Estado.

 

Um projeto seu que é destaque é o que reduz a base de cálculo do ICMS nas operações com medicamentos genéricos. O benefício não impactaria as contas públicas?

 

De forma alguma. Impactaria diretamente na vida das pessoas que precisam comprar remédios que estão cada vez mais caros nas prateleiras das farmácias. O impacto disso seria irrisório para o governo. E de grande importância para as pessoas.

 

Pouco antes do recesso legislativo, a Câmara também aprovou outra lei de sua autoria que exige a divulgação das emendas parlamentares. Por que apresentou este projeto?

 

Este projeto me orgulha bastante porque além de dar mais transparência às emendas destinadas pelos deputados distritais, vai dar a oportunidade para o cidadão saber e acompanhar quanto cada deputado destinou para sua cidade e saber se esse recurso foi utilizado ou não pelo Executivo. Muita gente não sabe, mas quando destinamos emendas para alguma obra, o distrital apenas disponibiliza o recurso. Quem faz, executa, é o governo. Mas nem sempre isso é feito. Então, é preciso que o cidadão saiba exatamente quanto cada deputado destinou para cada coisa e acompanhe se o governo está ou não utilizando aquele recurso para melhoria da cidade.

 

Acredita que o PL 1455/2017, que trata de benefícios em programas sociais de transferência de renda para portadores de microcefalia por zika, pode se tornar uma proposição que ganhará diversos Estados brasileiros? Já previa que isso pudesse acontecer?

 

O Estado deve garantir saúde ao cidadão. A partir do momento que ele é negligente, não se antecipa para combater o mosquito Aedes Aegypti e deixa que uma epidemia de doenças acometa as pessoas, ele tem que ser responsabilizado por isso. Uma mãe tem o filho com microcefalia devido a zika vírus que o governo não evitou. Muitas vezes essa mãe não tem recursos para dar a melhor vida para esse filho. Nada mais justo que o Estado auxilie nisso. Eu espero, sinceramente, que todos os governos entendam isso e o benefício se estenda para todo o Brasil. Esse recurso seria utilizado pelas mães para custear os gastos com esse filho e garantir a ele uma melhor qualidade de vida.

 

Uma de suas principais lutas é que o Expresso Pequi saia do papel. Quais são os grandes empecilhos para que o projeto seja executado?

 

Acredito que hoje, o empecilho seja apenas a burocracia. Logo no início do meu segundo mandato, peguei essa ideia do meu pai e, vendo o caos que as pessoas que moram no Entorno enfrentam diariamente para virem e voltarem ao DF, pensei: a melhor alternativa é o transporte ferroviário. A melhor não, a única. A mais barata. A menos poluente. A mais segura. No mundo inteiro os países investem em ferrovias. Nós estamos muito atrasados. Mas o DF pode ser pioneiro ao mostrar para o Brasil que esse meio de transporte é a solução para a mobilidade urbana. Marquei reuniões com os governadores do DF e de Goiás, sensibilizei esses governantes para o tema, chegamos até o Ministro dos Transportes, que comprou a ideia. A ANTT fez os estudos de viabilidade da obra que estão bem adiantados. Hoje, já existem empresas de fora querendo investir no trem.

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